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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O PRECONCEITO RACIAL E SUAS REPERCUSSÕES NA INSTITUIÇÃO ESCOLA

A sociedade brasileira caracteriza-se por uma pluralidade étnica, sendo esta produto de um processo histórico que inseriu num mesmo cenário três grupos distintos: portugueses, índios e negros de origem africana. Esse contato favoreceu o intercurso dessas culturas, levando à construção de um país inegavelmente miscigenado, multifacetado, ou seja, uma unicidade marcada pelo antagonismo e pela imprevisibilidade.
Apesar do intercurso cultural descrito acima, esse contato desencadeou alguns desencontros. As diferenças se acentuaram, levando à formação de uma hierarquia de classes que deixava evidentes a distância e o prestígio social entre colonizadores e colonos. Os índios e, em especial, os negros permaneceram em situação de desigualdade situando-se na marginalidade e exclusão social, sendo esta última compreendida por uma relação assimétrica em dimensões múltiplas – econômica, política, cultural. Sem a assistência devida dos órgãos responsáveis, os sujeitos tornam -se alheios ao exercício da cidadania.
Esse acontecimento inicial parece ter de algum modo subsistido, contribuindo para o quadro situacional do negro. O seu cotidiano coloca-o frente à vivência de circunstâncias como preconceito, descrédito, evidenciando a sua difícil inclusão social. Sendo assim, busca-se por meio deste trabalho compreender como são construídas as relações raciais num dos espaços da superestrutura social do país, que é a escola, e como ela contribui para a formação da identidade das crianças negras.
O estudo da interface racismo e educação oferece uma possibilidade de colocar num mesmo cenário a problematização de duas temáticas de inquestionável importância. Ao contemplarmos as relações raciais dentro do espaço escolar, questionamo-nos até que ponto ele está sendo coerente com a sua função social quando se propõe a ser um espaço que preserva a diversidade cultural, responsável pela promoção da eqüidade. Sendo assim, aguardamos mecanismos que devam possibilitar um aprendizado mais sistematizado favorecendo a ascensão profissional e pessoal de todos os que usufruem os seus serviços.
A escola é responsável pelo processo de socialização infantil no qual se estabelecem relações com crianças de diferentes núcleos familiares. Esse contato diversificado poderá fazer da escola o primeiro espaço de vivência das tensões raciais. A relação estabelecida entre crianças brancas e negras numa sala de aula pode acontecer de modo tenso, ou seja, segregando, excluindo, possibilitando que a criança negra adote em alguns momentos uma postura introvertida, por medo de ser rejeitada ou ridicularizada pelo seu grupo social. O discurso do opressor pode ser incorporado por algumas crianças de modo maciço, passando então a se reconhecer dentro dele: "feia, preta, fedorenta, cabelo duro", iniciando o processo de desvalorização de seus atributos individuais, que interferem na construção da sua identidade de criança.
A exclusão simbólica, que poderá ser manifestada pelo discurso do outro, parece tomar forma a partir da observação do cotidiano escolar. Este poderá ser uma via de disseminação do preconceito por meio da linguagem, na qual estão contidos termos pejorativos que em geral desvalorizam a imagem do negro.
O cotidiano escolar pode demonstrar a (re) apresentação de imagens caricatas de crianças negras em cartazes ou textos didáticos, assim como os métodos e currículos aplicados, que parecem em parte atender ao padrão dominante, já que neles percebemos a falta de visibilidade e reconhecimento dos conteúdos que envolvem a questão negra.
Essas mensagens ideológicas tomam uma dimensão mais agravante ao pensarmos em quem são seus receptores. São crianças em processo de desenvolvimento emocional, cognitivo e social, que podem incorporar mais facilmente as mensagens com conteúdos discriminatórios que permeiam as relações sociais, aos quais passam a atender os interesses da ideologia dominante, que objetiva consolidar a suposta inferioridade de determinados grupos. Dessa forma, compreendemos que a escola tanto pode ser um espaço de disseminação quanto um meio eficaz de prevenção e diminuição do preconceito.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Educação para Todos no Brasil




© Campanha Nacional pelo Direito à Educação
O Brasil está entre os 53 países que ainda não atingiram e nem estão perto de atingir os Objetivos de Educação para Todos até 2015, apesar de ter apresentado importantes avanços no campo da educação ao longo das duas últimas décadas.
A UNESCO, sendo a agência incumbida da coordenação da política global em direção à Educação para Todos (EPT), monitora a implementação das atividades, avaliando os progressos realizados, analisando as políticas efetivamente formuladas, disseminando conhecimentos sobre as boas práticas e alertando quanto aos desafios emergentes.
O Brasil apresentou os seguintes avanços nestas últimas duas décadas:
  • Acesso ao ensino fundamental está quase universalizado, com 94,4% da população de 7 a 14 anos incluídos nesse nível de ensino.
  • A proporção de jovens na idade própria que se encontra no ensino médio é mais que o dobro da existente em 1995, mostrando expressivo avanço no acesso à educação secundária.
  • Redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos.
  • Aumento no acesso ao ensino superior.
Nessa linha, a UNESCO pode ter papel singular, contribuindo para a harmonização das estatísticas educacionais brasileiras e disseminando-as em escala mundial. Como país do E9 (grupo dos nove países mais populosos do mundo), a contribuição da UNESCO parece ser de importância particularmente crítica para o Brasil, pois o país ainda enfrenta problemas para atingir a educação básica de qualidade para todos, a qual é essencial para:
  • a erradicação da pobreza,
  • a redução da mortalidade infantil,
  • o controle do crescimento populacional,
  • se atingir a igualdade de gênero e
  • assegurar o desenvolvimento sustentável, a paz e a democracia.

Educação Inclusiva no Brasil



Crianças brasileiras
As desigualdade sociais no Brasil afetam diretamente as diversas condições de acesso à educação no país. Quase todos os indicadores educacionais brasileiros evidenciam este fato.
São percebidas desigualdades nas condições de acesso à educação e nos resultados educacionais das crianças, dos jovens e dos adultos brasileiros, penalizando especialmente alguns grupos étnicorraciais, a população mais pobre e do campo, os jovens e adultos que não concluíram a educação compulsória na idade adequada.
Grandes desigualdades raciais e étnicas continuam existindo na sociedade brasileira (especialmente com relação a alguns grupos específicos, tais como a população indígena, a população afrodescendente, os quilombolas, a população carcerária e a população rural).
A literatura especializada mostra que há forte correlação entre a origem étnica e as oportunidades educacionais. Estas coexistem lado a lado com desigualdades sociais e regionais, contribuindo, assim, para a exclusão educacional de um número considerável de jovens e adultos.
A UNESCO pretende apoiar o país na implementação de ações afirmativas para promover oportunidades iguais de acesso à educação de qualidade, incluindo todos os grupos da sociedade brasileira.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

RESENHA DO LIVRO

KLEIMAN, Ângela B.; MORAES, Silvia E. Leitura e Interdisciplinaridade: Tecendo Redes nos Projetos da Escola. Campinas: Mercado das Letras, 1999.

RESUMO DA OBRA

As propostas a serem discutidas nesta obra estão baseadas na observação direta do cotidiano da escola - onde foram examinados planos de ensino, propostas pedagógicas e livros didáticos, e foram entrevistados professores e equipe de direção (coordenadores pedagógicos, diretores e vice-diretores) -, nas novas teorias educacionais, e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que sugerem contrapor a fragmentação e a linearidade do currículo à interdisciplinaridade, fazer face à alienação com a transversalidade, e neutralizar o excessivo individualismo com o trabalho coletivo.

INTRODUÇÃO

A autora Angela Kleiman demonstra nesta obra a grande diferença existente entre a teoria e a prática no contexto escolar brasileiro. Mostra como a escola reflete e perpetua o grande problema de uma sociedade contraditória, que diz valorizar muito a educação enquanto, na verdade, empobrece, desvaloriza e menospreza seus docentes. Discorre como a escola continua sendo autoritária e cerceante, apesar da garantia da gestão democrática nas escolas públicas pelas leis de Diretrizes e Bases. Também enfatiza o fato de a escola difundir um ensino fragmentado, que valoriza o individualismo e a falta de consciência coletiva e de solidariedade, enquanto a sociedade e o mercado de trabalho cada vez mais exigem cidadãos e profissionais críticos e participativos capazes de interagir por inteiro com a realidade que o cerca, tanto na empresa quanto na comunidade.

Apesar da flexibilidade exigida em todos os níveis pela LDB, ainda prevalece o ensino baseado em livros didáticos que apresentam um conhecimento linear , seqüencial e dividido em unidades arbitrárias. O currículo tradicional escolar é alienante e individualista, nele cabe ao aluno só responder o que está previsto no material disponibilizado, sem realmente ter entendimento do que se trata. O aluno realiza atividades que não possuem nenhuma ligação com sua realidade sociocultural.

A autora apresenta sua proposta para a problemática do currículo da escola fundamental baseada na observação direta do cotidiano da escola, nas novas teorias educacionais e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que sugerem a interdisciplinaridade e a transversalidade em contraposição ao currículo tradicional, tendo como premissa ser função mor da escola fornecer ao aluno os instrumentos necessários para que ele saiba compreender e fazer uso correto das informações complexas que recebe do mundo atual e se tornar uma pessoa capaz e plenamente ciente de suas atitudes, deveres e direitos.

Para Ângela Kleiman, a leitura , por sua natureza integradora de saberes é a chave para exercer esse papel na escola.

A autora acredita que desenvolver um trabalho escolar que articule e integre as diferentes áreas do conhecimento pressupõe uma capacidade comum – a leitura- valor, pré-requisito e, ao mesmo tempo objetivo do trabalho coletivo da escola e propõe-se a ajudar os professores do ensino fundamental, alunos de Letras e Pedagogia e de licenciatura em geral a desenvolverem modalidades de projetos interdisciplinares com um objetivo final e comum, o desenvolvimento de leitores competentes, e com um ponto de partida também em comum, a atividade de leitura.

De acordo com a autora sua proposta parte de quatro premissas básicas:

1) Os trabalhos sobre ensino da leitura nas escolas devem enfocar questões de linguagem comuns a todos os professores de todas as disciplinas do currículo da escola e não apenas serem dirigidas aos profissionais de língua.

2) Todo professor é formador e também professor de leitura. Se a escola é a mais importante instituição na introdução do aluno nas práticas de uso da escrita na sociedade é evidente que todos os professores juntos valorizem e ensinem leitura, o que tornará mais efetiva a formação de novos leitores.

3) A maioria das escolas não tem condições materiais necessárias – como boas bibliotecas, disponibilidade para muitas horas de planejamento, computadores etc - para desenvolver projetos, assim sendo a utilização de revistas semanais de informação que deveriam estar a disposição nas bibliotecas das salas e das escolas, serve muito bem como ponto de partida para os trabalhos da escola. O início dos trabalhos na escola partindo das notícias e reportagens dessas revistas se justificam por retomarem assuntos atuais de interesse público que preocupam a sociedade, mas levando sempre em consideração a superficialidade e alienação desse tipo de texto.

4) É muito importante também a formação do professor. Os educadores precisam estar atualizados e bem instrumentados para terem opções reais de trabalho e poderem decidir que projetos desenvolver. A autora pretende apresentar uma proposta de trabalho para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares expondo seus fundamentos teóricos, os modos de operacionalizá-los e alguns exemplos. Destacando que cada projeto elaborado deve sempre levar em consideração os problemas a serem resolvidos naquele lugar, qual o tipo de aluno, dos recursos humanos e dos materiais disponíveis. Não existe uma fórmula única e imutável.

CAPÍTUO 1

Este capítulo trata dos mecanismos que permitem a fragmentação e alienação da escola fundamental. Também contextualiza as dificuldades e a urgência de se desenvolver um currículo integrado e relevante.

INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSVERSALIDADE NOS PCN

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) a interdisciplinaridade e a transversalidade se baseiam na crítica de uma concepção que toma a realidade como um conjunto de dados estáveis, sujeitos a um ato de conhecer isento e distanciado.

A interdisciplinaridade refere-se a uma abordagem epistemológica – forma diferenciada de se produzir e se perceber o conhecimento - dos objetos do conhecimento questionando a fragmentação e a linearidade do mesmo, enquanto a transversalidade refere-se a uma abordagem pedagógica que permita ao aluno ter uma visão ampla e consciente da realidade brasileira e sua inserção no mundo, bem como sua participação social, questionando por sua vez a alienação e o individualismo do conhecimento. São na verdade conceitos inseparáveis e que podem ser postos em prática pelo trabalho coletivo.

Segundo os PCN, a escola contribui muito com o projeto de educação comprometida com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir com a realidade para modificá-la. Um projeto pedagógico com esse objetivo poderá ser orientado por três grandes diretrizes:

1) Tomar posição quanto às questões sociais e interpretar a tarefa de educar como uma intervenção na realidade no presente momento;

2) Não tratar os valores apenas como conceitos ideais. O educador deve pautar suas opções metodológicas de modo a incorporar o valor em questão com o objetivo das atividades;

3) Notar que a leitura é a atividade-elo que transforma os projetos de um professor em projetos interdisciplinares e que o ensino e a prática da leitura, atividade constitutiva da aprendizagem deve fazer parte de todas as atividades da escola, e que todo professor, em última instância, é um professor de leitura.

Quanto à transversalidade, a autora conclui que os professores da rede pública sentem necessidade e desejam incluir valores que valham a pena serem ensinados no currículo fundamental, mas ainda não sabem como fazê-lo por terem uma formação dentro da concepção fragmentada, positivista do conhecimento. Fato que não lhes permite pensar interdisciplinarmente, dificulta o desenvolvimento de projetos temáticos que exigem intensos trabalhos coletivos, além de nunca terem participado da elaboração do sistema educacional e não conseguirem ver a leitura como uma atividade de linguagem fundamental para o desenvolvimento do indivíduo em sociedades tecnológicas.

Estudos recentes mostram a preocupação generalizada com a inclusão de temas transversais nos currículos das escolas fundamentais, temas como ética, direitos humanos, respeito ao meio ambiente, cidadania e multiculturalismo.

No Brasil, o MEC, através da proposta dos PCN, os temas transversais propostos para as escolas brasileiras são ética, pluralidade cultura, meio ambiente,orientação sexual, saúde e temas locais.

Os PCN trazem os temas transversais para dentro do currículo, para os fundamentos, para os objetivos, conteúdos e critérios de avaliação de todas as áreas e passam a ser parte integrante dessas áreas definindo uma perspectiva para o trabalho educativo que se faz a partir delas.

Para a autora, por mais relevantes e atuais que sejam as temáticas a escola deve ensinar o indivíduo a aprender para poder selecionar e organizar informações em redes pessoais de conhecimento. Projetos relevantes para a vida social devem visar também o desenvolvimento do aluno através de sua inserção no mundo de hoje.

DIRETRIZES PARA A INTEGRAÇÃO CURRICULAR

A fragmentação da formação do cidadão há muito preocupa os educadores e os recentes apelos para reformas educacionais focalizam a necessidade de se desenvolverem currículos que enfatizem a aprendizagem conceitual e a prática social. As experiências educacionais são mais autênticas e de maior valor para os alunos quando os currículos refletem a vida real.

A educação interdisciplinar vale-se de conexões naturais e lógicas que cruzam as áreas de conteúdos e organiza-se ao redor de perguntas, temas, problemas ou projetos. Tal instrução responde melhor à curiosidade dos alunos sobre a vida real e resulta em uma aprendizagem produtiva e atividades produtivas em relação à escola e aos professores.

As relações interdisciplinares propiciam a solução criativa de problemas e tomadas de decisões e encorajam a interação entre os alunos com respeito
às diversidades culturais, e de acordo com esses pressupostos recomenda-se os princípios para a laboração do currículo do ensino fundamental:

1) Manter a integridade do conteúdo das diferentes disciplinas, como parte de unidades integradas apropriadas aos interesses dos alunos e a seu conhecimento cognitivo e social.

2) Promover o desenvolvimento de uma comunidade de aprendizagem na qual alunos e professores, juntos,determinem os assuntos, perguntas e estratégias de investigação.

3) desenvolver salas de aula democráticas, onde os alunos são encorajados a assumir cada vez mais responsabilidades por sua aprendizagem de forma a ganharem confiança em suas habilidades de achar informações, entendê-las, elaborar idéias e tomar decisões.

4) fornecer uma variedade de oportunidades para interação entre os alunos.

5) ensinar aos alunos a usar uma vasta variedade de fontes de comunicação oral e escrita, observação direta, experimentação, utilizando múltiplos sistemas simbólicos como instrumentos para aprender e mostrar conhecimento.

6) utilizar critérios de largo espectro para avaliar os processos e resultados de aprendizagem dos alunos.

Para o desenvolvimento de tais projetos a autora frisa que é pré-requisito e objetivo que os alunos sejam usuários proficientes da língua escrita, daí privilegiar a prática social da leitura.

O SABER FRAGMENTADO

Segundo a autora, a fragmentação do saber está relacionada diretamente com a divisão do trabalho que a escola reproduz sob inúmeras formas, inclusive na leitura. Essa divisão acontece através de muitos mecanismos, tais como; divisão entre ensino acadêmico e profissional, que se reproduz até nas avaliações que dão maior valor ao trabalho intelectual que ao físico e artístico; dividindo os currículos das universidades em licenciaturas e bacharelatos; dividindo rigidamente as matérias umas das outras em blocos monolíticos, sem conexão entre si; colocando trabalho e lazer em pólos diferentes, impondo a ordem através da coerção; formando professores extremamente especializados que não conseguem trabalhar interdisciplinarmente.

Outro fator, segundo a autora para a fragmentação do trabalho pedagógico é a organização do tempo da escola, que determina um "tempo ideal" para a execução de determinados trabalhos, sem levar em consideração os diferentes ritmos de aprendizagem e que se torna à camisa de força do trabalho pedagógico.

A autora sabe que o desenvolvimento de leitores não irá mudar por completo esse quadro, mas que, por outro lado à concepção democrática da leitura – a leitura como direito para todos - poderia evitar o apronfudamento desta divisão.

A ESCOLA ALIENANTE

Ângela Kleiman utiliza-se da Teoria Marxista sobre o trabalho alienado para explicar o trabalho pedagógico nos moldes como ele está sendo realizado.
 

Segundo Marx, o trabalho torna-se alienado quando o trabalhador não se reconhece no produto de seu trabalho , quando esse é algo estranho ao trabalhador. O trabalho é a atividade que, quando produtiva, constitui a objetivação da vida do homem, que, através dele, cria, transforma e ilumina a natureza à sua imagem, mas quando estranho ao trabalhador pode ser um poderoso meio para aliená-lo na vida.

Na escola pública brasileira , na maioria das vezes, segundo a autora, alunos e professores também produzem algo cujo sentido lhes escapa; eles não se reconhecem no produto de seu trabalho. O trabalho do professor é alienante porque ele está sobrecarregado pela burocracia, sem tempo para preparar suas aulas, não reconhece o objeto de seu trabalho por estar cada vez mais desprestigiado e empobrecido e por sentir que o conteúdo transmitido pela escola pouco ou nada vai adiantar para a melhora da vida dos jovens, ao mesmo tempo em que é alienado já que as ações dos professores dentro da escola são determinas pelas tradições que perpetuam as desigualdades da sociedade, fazendo do trabalho do professor um servidor das funções que pouco têm a ver com seus próprios objetivos e intenções.

Para a autora o aluno é alienado pelo fato de participar de processos educacionais que reproduzem as desigualdades sociais, sendo passivo e sem chance de desenvolver seu senso crítico, sem oportunidade de estabelecer suas próprias relações e construções nas práticas de aprendizagem.

Os projetos interdisciplinares de caráter colaborativo podem vir a se constituírem em instrumentos necessários para a resistência a esse processo educacional atual e para a sua efetiva transformação.

OPINIÃO SOBRE O TEXTO LIDO

O texto de Ângela Kleiman deixa claro quanto às diferenças entre teoria e a prática no sistema educacional brasileiro. Apesar de todos os avanços e determinações diferenciadas quanto aos critérios que devem ser adotados nos trabalhos pedagógicos das escolas fundamentais, previstas na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) em nosso país, pouco ou quase nada mudou efetivamente até agora.

A escola pública brasileira continua sendo tão arcaica e preconceituosa como no passado. Ela prega a desigualdade social, e segrega os alunos por raça, cor, sexo e classe social. O corpo docente brasileiro, ao contrário do que diz a classe política de nosso país, é desvalorizada, menosprezada e tratada com total descaso.

Ângela Kleiman propõe que a leitura é a chave para revolução no processo educacional, pois permite que todos possam realmente entender e compreender o mundo e a realidade ao seu redor.

Sendo a leitura um instrumento tão poderoso de transformação tanto do sistema educacional como na formação de verdadeiros cidadãos, todos os professores do ensino fundamental devem fazer uso dela para ensinar seus alunos a aprenderem a aprender.

A leitura é a atividade-elo entre todas as disciplinas do currículo escolar e permite a interdisciplinaridade entre os trabalhos pedagógicos. Sendo o aluno um usuário proficiente da língua escrita, também será um cidadão consciente e capaz de levar para suas relações pessoais todas as informações oferecidas pelo mundo atual aos cidadãos comuns de forma vertiginosa.

Outro ponto importante exposto pelo texto é a premente necessidade da transversalidade no currículo do ensino fundamental, uma vez que os assuntos relevantes para a sociedade são de suma importância para a educação do aluno , possibilitando uma visão ampla e consciente da realidade do país e de sua inserção no mundo, bem como sua posição social.

As abordagens interdisciplinares e transversais são ligadas e permitem um processo de educação e aquisição de conhecimento mais eficiente e vantajoso para o aluno, uma vez que ele consegue enxergar como o que está sendo passado pelo professor terá influência na sua vida.

Essas abordagens dão a oportunidade do professor educador a questionar prática docente, sob aspectos que o levem a refletir sobre uma proposta de trabalho relacionada à interação professor/aluno por meio da leitura cujos conceitos estarão voltados para a contribuição da aprendizagem dentro do processo do "ensino da leitura", tornando-se uma poderosa ferramenta de aprendizado.

Sob o mesmo ponto de vista, da interdisciplinares e transversais, desperta uma reflexão sobre o trabalho docente relacionada à interação entre professor e aluno e vice-versa, o que se tem buscado é imitações e tentativas de reproduções de métodos sem que os próprios educadores tenham os conhecimentos técnicos necessários para o desenvolvimento dos métodos que ao mesmo tempo, sem eles, acabam prejudicando acentuadamente a qualidade do ensino-aprendizagem do aluno.

Além disso, o professor deve buscar propostas de trabalhos, alternativas metodológicas para que possam obter resultados significativos na sua prática pedagógica relacionada ao ensino da leitura, pois, antes de qualquer coisa, é preciso haver uma comunicação integrada entre o professor e o aluno e sobre tudo o respeito da construção do conhecimento que o aluno obteve fora da escola que certamente, ao viverem nesta sociedade são capazes de refletirem e responderem sobre quaisquer assuntos que lhes forem apresentados, levando-se em conta, os aspectos no processo da "construção" do conhecimento.

Os projetos interdisciplinares de caráter colaborativo podem vir a se constituírem em instrumentos necessários para a resistência a esse processo educacional atual e para a sua efetiva transformação. Assim, um trabalho pedagógico realizado pela escola, exige inúmeras formas de mediação do professor estabelecendo um maior conhecimento e interação da criança durante o processo do ensino da leitura, com negociações produtivas e construtivas para o desenvolvimento de atividades relacionadas a uma proposta de trabalho mais concreto, sem que haja uma simples transferência de conhecimentos do professor para o aluno, com formas diferenciadas de oralidade e escrita.

O sistema educativo brasileiro, tem como finalidade ainda, levar a escola e as intenções subentendidas nos currículos de forma bastante honrosa. O ponto fraco é a enorme desigualdade em sua realização, em primeiro lugar na interpretação que se faz e que determina o "currículo real", depois, e sobretudo, nas aprendizagens efetivas dos alunos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Motivacional

MENESTREL
"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…

E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…

Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…

Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…

Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."
william shakespeare

a educação no Brasil

Enquanto os EUA luta para ficar mais poderoso, o seu povo mais inteligente, o Brasil (políticos) lutam para que o povo seja burro, manipulável, não investe no exercito,educação e saúde, simplesmente para ganhar dinheiro sem trabalhar e ir para países como os EUA que tem segurança para passear em suas ferraris.... ESSE É O MEU PAÍS... É POR ISSO QUE EU O ODEIO E SEMPLE VOU ODIAR ATÉ QUE MUDE TUDOOOOO TUDO

Tecnologia na Educação